Prévia da inflação surpreende e sobe 0,70% em setembro: veja o que ficou mais caro para o brasileiro
IPCA-15 voltou ao campo positivo após queda em agosto, ficou acima da expectativa do mercado e teve pressão forte da conta de luz, passagens aéreas, tomate e outros itens do dia a dia.
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A prévia da inflação subiu 0,70% em setembro, com destaque para energia elétrica, alimentação e transportes. |
A prévia da inflação oficial brasileira voltou a acelerar em setembro e trouxe um sinal de alerta para o bolso das famílias.
O IPCA-15 subiu 0,70% em setembro de 2026, depois de ter registrado queda de 0,40% em agosto. O resultado divulgado nesta sexta-feira, 25 de setembro, ficou acima da expectativa do mercado: pesquisa da Reuters apontava projeção de alta de 0,53% no mês.
Com o novo resultado, o IPCA-15 acumula 3,82% no ano e 4,47% nos últimos 12 meses, acima dos 4,24% registrados na leitura anterior. Em setembro de 2025, o indicador havia subido 0,48%.
Mas o que realmente interessa ao consumidor é entender onde os preços avançaram.
E, desta vez, a pressão veio de diferentes partes do orçamento doméstico.
Conta de luz foi uma das principais responsáveis pela alta
O grupo Habitação teve a maior variação entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, com alta de 2,07% e impacto de 0,31 ponto percentual sobre o índice geral.
O principal destaque foi a energia elétrica residencial, que ficou 7,42% mais cara em setembro.
O movimento representa uma forte reversão em relação a agosto, quando a conta de luz havia recuado 6,25%. Parte da queda do mês anterior estava relacionada ao Bônus de Itaipu, cujo efeito deixou de aparecer nas faturas de setembro.
Além disso, a bandeira tarifária amarela continuou em vigor no período, adicionando cobrança extra à conta conforme o consumo de energia.
Para quem está tentando reduzir despesas em casa, isso significa que a energia elétrica voltou a ter peso importante no orçamento.
Tomate dispara mais de 20%
A alimentação também voltou a subir.
O grupo Alimentação e bebidas avançou 0,40%, enquanto a alimentação dentro de casa registrou alta de 0,38%, depois de ter recuado 0,97% no mês anterior.
Entre os alimentos que mais chamaram atenção estão:
tomate: +20,76%
arroz: +2,39%
carnes: +1,30%
O aumento do tomate foi especialmente expressivo e pode ser percebido rapidamente pelo consumidor que faz compras frequentes em supermercados e feiras.
Nem tudo, porém, ficou mais caro.
Alguns produtos apresentaram queda:
feijão carioca: -6,33%
cebola: -4,41%
café moído: -1,36%
Isso mostra que, mesmo dentro do grupo de alimentação, o comportamento dos preços continua bastante desigual.
Comer fora de casa também ficou mais caro
A alimentação fora do domicílio avançou 0,44% em setembro.
Segundo os dados divulgados, o preço médio das refeições subiu 0,38%, enquanto os lanches avançaram 0,44%.
Para quem almoça fora durante o trabalho ou depende de refeições prontas, esse tipo de movimento tende a ser percebido de forma mais constante ao longo do mês.
Passagens aéreas ficaram quase 10% mais caras
Outro ponto de pressão veio dos transportes.
O grupo Transportes avançou 0,60%, contribuindo com 0,12 ponto percentual para o IPCA-15.
O destaque foram as passagens aéreas, com alta de 9,82%.
Os combustíveis, por sua vez, tiveram comportamento misto.
Na média:
gasolina: +0,30%
gás veicular: +1,56%
óleo diesel: -0,78%
etanol: -0,22%
Ou seja, para quem dirige diariamente, o impacto não foi uniforme, mas a gasolina voltou a apresentar alta.
Despesas pessoais também pressionaram
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Energia elétrica subiu 7,42% e o tomate avançou 20,76%, segundo os dados do IPCA-15 de setembro. |
O grupo Despesas pessoais teve alta de 0,96%, uma das maiores variações do mês.
Um dos principais destaques foi o cigarro, cujo preço subiu 14%.
Embora esse item não faça parte do orçamento de todas as famílias, uma alta desse tamanho contribui de maneira significativa dentro da composição do grupo.
Todos os grupos pesquisados tiveram alta
Um dado importante desta leitura é que os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE apresentaram alta em setembro.
Isso ajuda a explicar por que o índice saiu de uma deflação de 0,40% em agosto para uma inflação de 0,70% no mês seguinte.
O movimento não ficou concentrado em apenas um item.
Ainda assim, a energia elétrica teve papel especialmente relevante, com impacto individual de 0,29 ponto percentual, o maior do mês.
Por que o resultado surpreendeu o mercado?
Antes da divulgação, pesquisa da Reuters com economistas indicava expectativa de alta de 0,53% em setembro e inflação acumulada de 4,30% em 12 meses.
O resultado efetivo foi maior nas duas comparações:
previsão mensal: 0,53%
resultado mensal: 0,70%
previsão em 12 meses: 4,30%
resultado em 12 meses: 4,47%
Isso significa que a inflação veio mais forte do que os analistas esperavam.
Esse tipo de surpresa costuma receber atenção porque os índices de preços são acompanhados de perto pelo mercado financeiro e pelo Banco Central.
O que é o IPCA-15?
O IPCA-15 é considerado uma espécie de prévia da inflação oficial porque utiliza metodologia semelhante à do IPCA, mas com período de coleta diferente.
A pesquisa acompanha a variação dos preços de produtos e serviços consumidos por famílias com renda de um a quarenta salários mínimos em áreas urbanas selecionadas do país.
Em setembro, os preços utilizados no cálculo foram coletados entre 15 de agosto e 15 de setembro de 2026.
Por isso, o indicador ajuda a dar uma ideia de como os preços estão se comportando antes da divulgação do IPCA cheio.
Onde a inflação foi maior?
As onze áreas pesquisadas pelo índice apresentaram alta.
A maior variação regional ocorreu em Goiânia, com 0,95%, influenciada principalmente por aumentos no cigarro e na energia elétrica residencial.
Já Recife teve o menor resultado, de 0,44%, beneficiado por quedas nos preços das frutas e da gasolina.
Essas diferenças mostram que a inflação não pesa da mesma maneira em todas as regiões.
Como o consumidor pode sentir esse aumento na prática?
A inflação de 0,70% não significa que todos os produtos ficaram exatamente 0,70% mais caros.
O índice representa uma média ponderada de centenas de itens.
Na prática, uma família pode sentir uma inflação maior ou menor dependendo de seus hábitos.
Quem gasta mais com:
energia elétrica;
alimentação;
transporte;
viagens;
refeições fora de casa;
pode perceber uma pressão diferente daquela registrada pelo índice médio.
Por isso, acompanhar os itens que mais pesam no próprio orçamento costuma ser mais útil do que observar apenas o número geral.
O que observar daqui para frente
A próxima divulgação do IPCA-15 está prevista para 23 de outubro de 2026.
Até lá, alguns itens merecem atenção, principalmente energia elétrica, alimentos, combustíveis e serviços.
A leitura de setembro mostra que, após a deflação registrada em agosto, as pressões sobre o custo de vida voltaram a aparecer com força.
Para o consumidor, o recado é simples: acompanhar as contas recorrentes e comparar preços pode fazer diferença em um cenário em que vários grupos voltaram a subir simultaneamente.
Nota Editorial e Transparência: Conteúdo informativo focado nas principais notícias e tendências do momento. Este artigo pode conter links de afiliados com recomendações de produtos nas principais lojas parceiras ou anúncios do Google AdSense.
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