Petrobras supera Saudi Aramco em margem de lucro pela primeira vez: entenda o que mudou em 2026
Estudo da FUP e do Dieese aponta margem líquida de 29,15% para a Petrobras no primeiro semestre, contra 25,48% da Saudi Aramco; resultado brasileiro foi impulsionado por produção recorde, pré-sal e maior utilização das refinarias.
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| Petrobras registrou margem líquida de 29,15% no primeiro semestre de 2026, ante 25,48% da Saudi Aramco no levantamento Dieese/FUP. |
A Petrobras terminou o primeiro semestre de 2026 com margem de lucro superior à da Saudi Aramco, algo que não havia ocorrido desde o início da série comparativa usada em levantamento da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e do Dieese.
Segundo o estudo, divulgado em setembro, a margem líquida da companhia brasileira chegou a 29,15%, enquanto a petroleira saudita registrou 25,48%. Na prática, o indicador significa que, a cada US$ 100 equivalentes em receita, aproximadamente US$ 29,15 se transformaram em lucro líquido na Petrobras, segundo a metodologia utilizada no levantamento.
Há, porém, uma diferença importante: isso não significa que a Petrobras tenha obtido lucro absoluto maior que a Saudi Aramco. A Aramco informou lucro líquido ajustado de US$ 67,2 bilhões somente no primeiro semestre. O destaque brasileiro está na proporção do lucro em relação à receita, e não no tamanho absoluto do resultado.
Quanto a Petrobras lucrou no primeiro semestre de 2026?
A Petrobras acumulou R$ 85,1 bilhões de lucro líquido entre janeiro e junho.
Somente no segundo trimestre, o lucro chegou a R$ 52,4 bilhões, alta de 97% na comparação com o mesmo período de 2025. O EBITDA ajustado alcançou R$ 93,8 bilhões no trimestre.
No primeiro trimestre, a companhia já havia registrado lucro líquido de R$ 32,7 bilhões, com crescimento expressivo na produção.
Quando os dois períodos são combinados, aparece o resultado utilizado no levantamento que colocou a empresa brasileira à frente da Aramco na margem líquida.
Petrobras x Saudi Aramco: veja as margens
No grupo de grandes petroleiras analisado pelo Dieese/FUP, os números do primeiro semestre ficaram assim:
| Empresa | Margem líquida |
|---|---|
| Petrobras | 29,15% |
| Saudi Aramco | 25,48% |
| Chevron | 18,01% |
| ExxonMobil | 16,33% |
| BP | 14,83% |
| Equinor | 12,84% |
| Shell | 9,94% |
| TotalEnergies | 9,44% |
A Agência Brasil informa que, entre 2020 e 2025, a Saudi Aramco havia ocupado a primeira posição nesse recorte. Em 2026, a Petrobras aparece pela primeira vez no topo da comparação.
É importante interpretar a tabela como o resultado de um estudo específico envolvendo empresas selecionadas, e não como um ranking universal de todas as empresas petrolíferas existentes.
O que explica a melhora da Petrobras em 2026?
Um dos principais fatores está na operação.
A Petrobras bateu recordes de produção durante o primeiro semestre. No segundo trimestre, a produção total de óleo e gás natural atingiu 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia, enquanto a produção própria no pré-sal chegou a 2,78 milhões de boed.
Boa parte desse crescimento veio da entrada e do aumento gradual de produção de novas plataformas.
No campo de Búzios, por exemplo, as plataformas alcançaram produção operada de 1,219 milhão de barris por dia em 26 de junho, depois da entrada da P-79. Mero também atingiu novo patamar diário de produção.
Quanto maior a produção de ativos eficientes, maior tende a ser a capacidade de diluir determinados custos e transformar receita em resultado.
Pré-sal continua sendo peça central
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| Aumento da produção, novos sistemas no pré-sal e elevada utilização das refinarias ajudaram a sustentar os resultados da Petrobras em 2026. |
O pré-sal permanece no centro da estratégia de produção.
No primeiro trimestre, a Petrobras havia alcançado produção própria recorde de 3,23 milhões de boed, sendo 2,66 milhões provenientes do pré-sal.
O plano de negócios da companhia prevê ainda custo de extração abaixo de US$ 6 por barril na média do período de 2026 a 2030, antes de outros componentes incluídos no custo total do petróleo produzido.
Isso ajuda a entender por que campos de elevada produtividade podem sustentar margens elevadas mesmo num setor sujeito a fortes oscilações internacionais.
Refinarias também trabalharam em nível elevado
O desempenho não veio apenas da extração de petróleo.
No primeiro trimestre, o Fator de Utilização Total das refinarias chegou a 95%, com março alcançando 97,4%, então o maior nível mensal desde dezembro de 2014. A produção de derivados também cresceu.
Esse aumento no uso das unidades de refino permite processar mais petróleo e produzir mais combustíveis e derivados com a estrutura existente.
O levantamento divulgado neste domingo pelo UOL também relaciona os resultados de 2026 à expansão da produção, das exportações e à elevada utilização do parque de refino.
Aramco continua sendo muito maior em lucro absoluto
É justamente aqui que a comparação precisa ser feita com atenção.
A Saudi Aramco informou US$ 67,2 bilhões em lucro líquido ajustado no primeiro semestre de 2026, além de US$ 60,3 bilhões de fluxo de caixa livre excluindo capital de giro. Sua produção total de hidrocarbonetos ficou em cerca de 11 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
Ou seja: a empresa saudita continua operando em uma escala muito superior.
O que a Petrobras conseguiu foi transformar uma parcela maior de sua própria receita em lucro no período avaliado pelo estudo.
Uma empresa pode ter margem maior e, simultaneamente, apresentar faturamento e lucro total muito menores do que outra.
O que significa margem de lucro de 29,15%?
Imagine uma empresa que vende R$ 100 em produtos.
Depois de descontar custos, despesas financeiras, impostos e outras obrigações, sobram R$ 29,15 de lucro.
Nesse exemplo, a margem líquida seria de 29,15%.
É diferente de simplesmente perguntar "quem lucrou mais?".
A Agência Brasil destaca essa distinção justamente para explicar o levantamento: lucro mostra o valor que sobrou; margem mostra qual porcentagem das vendas conseguiu virar lucro.
Por isso, o indicador é muito usado para comparar eficiência financeira relativa entre empresas de tamanhos diferentes.
Petrobras também aumentou investimentos
O resultado ocorre enquanto a empresa amplia desembolsos em novos projetos.
A Petrobras investiu US$ 5,3 bilhões no segundo trimestre, depois de US$ 5,1 bilhões aproximadamente no primeiro. No acumulado dos seis primeiros meses, os investimentos chegaram a US$ 10,4 bilhões, aumento de 22,5% em relação ao mesmo período de 2025.
Entre os projetos estão novas plataformas, expansão de campos do pré-sal e aquisição de participações exploratórias dentro e fora do Brasil.
O plano empresarial para 2026–2030 prevê oito novos sistemas de produção até 2030, sete deles já contratados.
E os dividendos?
Com a divulgação do balanço de junho, o Conselho de Administração aprovou R$ 17,4 bilhões em remuneração aos acionistas, equivalente a aproximadamente R$ 1,35 por ação em circulação.
A política vigente prevê distribuição vinculada ao fluxo de caixa livre quando determinadas condições financeiras e de endividamento são atendidas.
No primeiro trimestre, outros R$ 9 bilhões já haviam sido aprovados como remuneração referente a 2026.
Esses valores são diferentes do lucro líquido: dividendos e juros sobre capital próprio representam a parcela do resultado distribuída aos acionistas de acordo com regras societárias e financeiras.
O preço do petróleo também faz diferença
Petroleiras são fortemente afetadas pelo preço internacional do barril.
No segundo trimestre, a própria Petrobras atribuiu parte da melhora da geração de caixa à combinação de maior produção, aumento da venda de derivados e Brent mais elevado.
Em 2026, tensões no Oriente Médio provocaram forte volatilidade no petróleo. Em setembro, por exemplo, o Brent chegou a superar US$ 100 por barril antes de recuar com expectativas de recuperação do fluxo saudita.
Essa oscilação pode aumentar receitas de empresas produtoras, mas também altera custos, preços de derivados e decisões de investimento.
O resultado pode se repetir no segundo semestre?
Ainda é cedo para saber.
A comparação de 29,15% contra 25,48% refere-se exclusivamente ao primeiro semestre de 2026. Produção, preço do petróleo, câmbio, custos, impostos, investimentos e efeitos extraordinários podem modificar as margens nos próximos balanços.
A Aramco afirmou que entrou no segundo semestre com forte desempenho operacional, enquanto mantém projetos de expansão de petróleo e gás.
A Petrobras, por sua vez, também segue ampliando capacidade e colocando novas unidades em produção.
Portanto, o dado mais seguro neste momento é: no recorte elaborado pelo Dieese/FUP para janeiro a junho de 2026, a Petrobras registrou a maior margem líquida entre as grandes petroleiras avaliadas e ultrapassou a Saudi Aramco pela primeira vez nessa série comparativa.
Para quem acompanha economia e investimentos
Resultados empresariais costumam trazer termos como margem líquida, EBITDA, fluxo de caixa, dívida e dividendos. Livros de educação financeira, calculadoras financeiras e materiais introdutórios sobre balanços podem ajudar quem deseja entender melhor esses indicadores.
Fontes consultadas
Petrobras — balanços e destaques operacionais do primeiro e segundo trimestres de 2026.
Saudi Aramco — resultados oficiais do primeiro semestre de 2026, produção, lucro ajustado e fluxo de caixa.
Agência Brasil — levantamento Dieese/FUP sobre margem líquida das grandes petroleiras e histórico da comparação.
UOL Economia — repercussão publicada em 20 de setembro de 2026 e fatores associados ao desempenho da Petrobras.
Nota Editorial e Transparência: Conteúdo informativo focado nas principais notícias e tendências do momento. Este artigo pode conter links de afiliados com recomendações de produtos nas principais lojas parceiras ou anuncios do Google Adsense..


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