Marcas chinesas avançam no Brasil: de carros elétricos a sorvetes, 2026 vira ponto de virada no consumo

BYD, GWM, Geely, Midea, Hisense, Mixue, AliExpress, Shein, Temu, 99 e Keeta mostram como empresas chinesas deixaram de disputar apenas compras online e passaram a investir em fábricas, lojas, aplicativos e produção local.

Carro elétrico, eletrodomésticos, delivery e sorvete representam expansão das marcas chinesas no Brasil
Empresas chinesas ampliam sua atuação no Brasil em setores que vão de automóveis e eletrodomésticos a delivery, comércio eletrônico e alimentação.


Durante muito tempo, para muitos consumidores brasileiros, falar em marcas chinesas significava pensar principalmente em produtos importados comprados pela internet.

Em 2026, essa imagem já não descreve mais o mercado.

Empresas da China estão ampliando sua presença no Brasil em setores tão diferentes quanto automóveis, eletrodomésticos, comércio eletrônico, transporte por aplicativo, delivery, bebidas e sorvetes. Algumas passaram inclusive a produzir localmente e anunciaram investimentos de longo prazo no país.

Um levantamento publicado pelo UOL neste domingo, 20 de setembro, cita nomes como BYD, Haval, Geely, Caoa Chery, Midea, Hisense, Mixue, Shein, AliExpress, Temu, 99/Didi e Keeta como exemplos dessa nova fase.

A transformação é relevante porque indica que o Brasil deixou de ser apenas destino para produtos fabricados na China e passou a receber fábricas, centros de operação, redes de lojas e investimentos voltados diretamente ao consumidor local.

Investimentos chineses somam cerca de R$ 230 bilhões desde 2015

O tamanho desse movimento aparece nos números.

Segundo estudo da Euromonitor International citado pelo UOL, os investimentos chineses no Brasil somaram aproximadamente US$ 45 bilhões, cerca de R$ 230 bilhões, entre 2015 e 2025. Apenas em 2025, foram US$ 6,1 bilhões, crescimento de 45% na comparação anual.

O perfil desses investimentos também mudou.

Historicamente, boa parte do capital chinês estava ligada a grandes projetos de energia, infraestrutura e commodities.

Agora, cresce a participação de negócios que têm contato direto com o consumidor.

É aí que entram carros, geladeiras, ar-condicionado, aplicativos, roupas, refeições e até casquinhas de sorvete.

Carros chineses são talvez o exemplo mais visível

Nenhum segmento representa tão claramente essa mudança quanto o automotivo.

Marcas como BYD, GWM, Geely e Caoa Chery já possuem presença relevante no mercado brasileiro, enquanto outras montadoras chinesas chegaram ou anunciaram entrada no país.

O UOL aponta 13 marcas chinesas no segmento de veículos elétricos no Brasil. Outros levantamentos chegam a números maiores quando contabilizam marcas, submarcas e empresas que também comercializam híbridos e modelos a combustão. O Canaltech, por exemplo, listou 15 marcas chinesas ou sino-brasileiras com vendas no mercado nacional em abril de 2026.

A diferença acontece principalmente pela metodologia utilizada em cada levantamento.

O ponto central, porém, é o mesmo: a oferta cresceu rapidamente.

BYD passou da importação para a produção no Brasil

A BYD é um dos exemplos mais claros dessa nova estratégia.

A montadora investiu na estrutura de Camaçari, na Bahia, para produzir veículos no Brasil. Segundo a própria companhia, mais de 50 mil unidades de Dolphin Mini, King e Song Pro já haviam deixado a linha de produção local em 2026.

A empresa afirma que a planta já empregava mais de 4.100 trabalhadores e planejava ampliar a operação com um terceiro turno.

Em abril de 2026, a BYD também anunciou ter alcançado a liderança das vendas no varejo automotivo, classificação que considera vendas diretas ao consumidor nas concessionárias e não o mercado total de emplacamentos.

Isso mostra uma mudança importante.

As marcas chinesas não estão necessariamente apostando apenas em preços baixos. A estratégia inclui tecnologia embarcada, eletrificação, produção local e expansão da rede comercial.

Eletrodomésticos também entram nessa disputa

A mesma lógica começa a aparecer dentro de casa.

Midea e Hisense estão entre as empresas chinesas que ampliaram presença no Brasil em categorias como ar-condicionado, geladeiras, televisores e eletrodomésticos.

O levantamento publicado pelo UOL destaca que a Midea consolidou produção local e utiliza o Brasil também como parte de sua estratégia para outros mercados da América Latina.

Para o consumidor, essa expansão significa mais marcas disputando espaço justamente em categorias historicamente dominadas por fabricantes tradicionais.

A concorrência passa a ocorrer não apenas no preço, mas também em garantia, assistência técnica, eficiência energética, conectividade e recursos inteligentes.


Até o sorvete virou parte dessa expansão

Talvez o exemplo mais curioso seja a Mixue.

A rede chinesa especializada em sorvetes e bebidas desembarcou no Brasil em abril de 2026 e colocou o país dentro de seu plano internacional de crescimento.

Segundo informações obtidas pela Reuters, a empresa pretende investir aproximadamente R$ 3 bilhões no Brasil e planeja chegar a algo entre 500 e mil lojas até 2030, incluindo franquias.

A Mixue vende produtos como sorvetes, limonadas e chás e cresceu internacionalmente utilizando uma estratégia de preços acessíveis e operação de grande escala.

A chegada da rede ajuda a mostrar até onde se expandiu a presença empresarial chinesa.

O movimento saiu das fábricas e marketplaces e chegou também ao consumo cotidiano de alimentação.

Delivery virou outra arena de competição

Outro setor em rápida transformação é o de entrega de comida.

A Keeta, braço internacional da chinesa Meituan, iniciou sua expansão brasileira depois de testar operações na Baixada Santista.

A empresa afirma ter planejado US$ 1 bilhão de investimento no Brasil, valor equivalente a cerca de R$ 5,4 bilhões na conversão divulgada pela própria companhia.

A Meituan possui experiência de larga escala em delivery na China e trouxe ao Brasil sistemas de logística e inteligência artificial usados para organizar rotas de entregadores.

A competição ficou ainda mais intensa porque a 99, controlada pela chinesa DiDi, também ampliou suas operações de entrega.

Ao mesmo tempo, o iFood anunciou R$ 24 bilhões em investimentos até março de 2027, incluindo inteligência artificial e expansão para novas categorias.

Ou seja, a chegada das empresas chinesas também está provocando respostas de concorrentes já estabelecidos.

A disputa do delivery também chegou ao Cade

A concorrência não ocorre sem conflitos.

A Keeta afirma que contratos de exclusividade mantidos por concorrentes dificultam sua entrada em determinados restaurantes considerados estratégicos.

Um levantamento produzido pela própria companhia apontou que 85,7% das redes classificadas por ela como restaurantes-âncora nas regiões analisadas tinham contratos de exclusividade com iFood ou 99Food.

O iFood contestou a interpretação e afirma que seus contratos respeitam as regras estabelecidas pelo Cade. A 99 também defende seus acordos comerciais.

A disputa continua sendo analisada pelas autoridades e pelas empresas envolvidas. Portanto, as acusações não devem ser interpretadas como conclusão definitiva de irregularidade.

Shein, AliExpress e Temu continuam relevantes

Mesmo com a expansão para lojas físicas e fábricas, os marketplaces continuam sendo uma parte importante dessa relação comercial.

Shein, AliExpress e Temu permanecem entre as plataformas associadas à expansão do comércio eletrônico internacional no Brasil.

Em maio de 2026, também houve mudança importante na tributação das compras internacionais.

Desde 12 de maio, compras de até US$ 50 feitas por pessoas físicas em empresas certificadas no Programa Remessa Conforme passaram a ter alíquota zero de Imposto de Importação federal.

Mas isso não significa compra totalmente sem imposto.

A Receita Federal esclarece que o ICMS estadual continua sendo cobrado, com alíquota entre 17% e 20%, dependendo do estado.

Para compras acima de US$ 50 em sites participantes do programa, o Imposto de Importação é de 60%, com desconto equivalente a US$ 30 sobre o imposto calculado.

O que mudou na estratégia das empresas chinesas?

Comércio brasileiro reúne carros elétricos, eletrônicos, delivery e alimentação de empresas chinesas
A estratégia de várias companhias chinesas deixou de depender apenas de importações e passou a incluir produção, lojas e operações locais no Brasil.


A mudança mais importante pode ser resumida em uma palavra: localização.

O modelo antigo era simples: fabricar na China e vender para o Brasil.

Agora, muitas empresas tentam operar mais perto do consumidor brasileiro.

Isso envolve:

  • produção nacional;
  • contratação de funcionários no Brasil;
  • redes de lojas físicas;
  • centros logísticos;
  • aplicativos adaptados ao mercado local;
  • assistência técnica;
  • franquias;
  • parcerias com empresas brasileiras.

Essa estratégia reduz a dependência exclusiva da importação e cria uma relação mais duradoura com o mercado.

Por que o Brasil interessa tanto?

O Brasil oferece uma combinação atraente para empresas de consumo.

É um país de mais de 200 milhões de habitantes, com grandes mercados de automóveis, alimentos, eletrodomésticos, comércio eletrônico e serviços digitais.

Ao mesmo tempo, empresas chinesas vêm buscando novos mercados internacionais em meio ao aumento de barreiras comerciais em economias como os Estados Unidos. Reuters já havia apontado essa combinação ao analisar o avanço dos investimentos chineses no Brasil em abril.

Para muitas companhias, portanto, o país funciona simultaneamente como mercado consumidor e base de expansão regional.

O que muda para o consumidor brasileiro?

A consequência mais visível é o aumento da concorrência.

Mais empresas disputando o mesmo cliente podem significar maior variedade de produtos, novas tecnologias, promoções e pressão sobre os concorrentes já estabelecidos.

Mas preço não deve ser o único critério.

Antes de comprar produtos de marcas que ainda estão construindo sua presença no país, vale observar assistência técnica, disponibilidade de peças, prazo de garantia e presença da empresa no Brasil.

No caso de automóveis, por exemplo, rede de concessionárias, custo de reparos e disponibilidade de peças podem ter impacto durante toda a vida útil do veículo.

Para eletrodomésticos e eletrônicos, vale verificar se existe atendimento autorizado na região.

Produtos chineses deixaram de ser sinônimo apenas de importação barata

Essa talvez seja a maior mudança de percepção provocada por 2026.

O mercado brasileiro passou a receber empresas chinesas capazes de competir em diferentes faixas de preço e com estratégias industriais próprias.

Algumas usam tecnologia como principal argumento. Outras apostam em escala e preço baixo. Há ainda empresas que combinam produção nacional, logística e adaptação dos produtos ao consumidor brasileiro.

Por isso, falar em "marca chinesa" já não identifica um único tipo de produto.

Pode significar um automóvel elétrico fabricado na Bahia, uma geladeira, uma entrega de comida feita por aplicativo ou um sorvete comprado em uma loja física.

Tecnologia e eletrônicos entram naturalmente nessa nova disputa

Com mais fabricantes competindo no país, consumidores também encontram maior variedade de smart TVs, eletrodomésticos inteligentes, aspiradores robôs, equipamentos de climatização e acessórios eletrônicos.

Quem estiver pesquisando esses produtos deve comparar não apenas preço, mas garantia nacional, assistência técnica, consumo energético e avaliações do modelo.


A expansão chinesa no Brasil ainda está longe de terminar

Os investimentos anunciados sugerem que o movimento deve continuar nos próximos anos.

A BYD amplia produção nacional. A Mixue pretende multiplicar suas lojas. A Keeta investe para ganhar espaço no delivery. Fabricantes de eletrodomésticos reforçam suas operações, enquanto marketplaces continuam disputando consumidores online.

O dado de aproximadamente R$ 230 bilhões em investimentos chineses acumulados entre 2015 e 2025 ajuda a mostrar que essa presença é maior do que qualquer empresa isolada.

O que diferencia a fase atual é onde esse dinheiro está aparecendo.

Antes concentrada principalmente em grandes projetos industriais e de infraestrutura, a presença chinesa agora chega cada vez mais perto da rotina do consumidor brasileiro — da garagem e da cozinha até o celular e a sobremesa.




Fontes consultadas

UOL Economia — levantamento publicado em 20 de setembro de 2026 sobre expansão das empresas chinesas nos setores de automóveis, eletrodomésticos, marketplaces, alimentação e delivery.

Reuters — informações sobre expansão da Mixue, investimentos chineses e mudança do foco para o mercado consumidor brasileiro.

Receita Federal — regras vigentes para compras internacionais pelo Programa Remessa Conforme e tributação de encomendas de até US$ 50.

BYD Brasil — informações sobre produção em Camaçari e expansão da operação brasileira.

Keeta/Meituan — informações institucionais sobre investimento e expansão da plataforma no Brasil.



Nota Editorial e Transparência: Conteúdo informativo focado nas principais notícias e tendências do momento. Este artigo pode conter links de afiliados com recomendações de produtos nas principais lojas parceiras ou anúncios do Google Adsense..

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Copa do Brasil 2026: semifinais serão em 1º, 7 e 8 de novembro; veja datas e horários

Décimo terceiro de 2026: primeira parcela vai até 30 de novembro; veja a data da segunda