Governo envia Orçamento de 2027: veja onde pretende gastar e o que pode mudar no seu bolso

Proposta prevê salário mínimo de R$ 1.741, R$ 272,2 bilhões para Saúde, R$ 141,2 bilhões para Educação e superávit de R$ 18,6 bilhões; texto ainda será analisado pelo Congresso

Foto: Imagem Ilustrativa / Na Trama

O governo federal entregou ao Congresso na tarde desta segunda-feira, 31 de agosto de 2026, o Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027, conhecido como PLOA. É esse documento que estima quanto a União pretende arrecadar e estabelece quanto poderá gastar em áreas como aposentadorias, Saúde, Educação, programas sociais, investimentos e funcionamento da administração pública.

E os números interessam diretamente ao cidadão.

A proposta prevê salário mínimo de R$ 1.741, orçamento de R$ 272,2 bilhões para Saúde, R$ 141,2 bilhões para Educação e R$ 157,1 bilhões para o Bolsa Família. Ao todo, o Orçamento federal projetado para 2027 chega a aproximadamente R$ 7,45 trilhões, incluindo despesas financeiras e refinanciamento da dívida pública.

Salário mínimo pode subir para R$ 1.741

Um dos números de maior impacto direto no bolso é o novo salário mínimo.

O PLOA trabalha com R$ 1.741 a partir de 2027, contra os atuais R$ 1.621. É uma diferença de R$ 120, equivalente a aproximadamente 7,4%.

O cálculo considera uma projeção de 4,93% para o INPC acumulado até novembro, acrescida de ganho real de 2,3%.

Mas o valor ainda não é definitivo. O número poderá ser atualizado quando a inflação efetiva usada na fórmula for conhecida.

O mínimo influencia não apenas quem recebe salário de R$ 1.621 hoje.

Ele também serve como referência para:

  • aposentadorias e pensões do INSS vinculadas ao piso;

  • Benefício de Prestação Continuada, o BPC;

  • algumas contribuições previdenciárias;

  • outros benefícios e pagamentos calculados com base no salário mínimo.

Por isso, qualquer alteração nesse valor tem efeito simultâneo sobre milhões de famílias e sobre as despesas obrigatórias do governo.

Quanto o governo pretende gastar em 2027

Os números apresentados ao Congresso ajudam a mostrar onde estará concentrada boa parte do dinheiro público federal.

Entre as principais previsões estão:

  • Benefícios da Previdência: R$ 1,169 trilhão;

  • Pessoal: R$ 440,7 bilhões;

  • Saúde: R$ 272,2 bilhões;

  • Bolsa Família: R$ 157,1 bilhões;

  • BPC: R$ 145,1 bilhões;

  • Educação: R$ 141,2 bilhões;

  • Investimentos: cerca de R$ 133,8 bilhões;

  • Abono salarial e seguro-desemprego: R$ 104,7 bilhões.

O governo afirma que a verba prevista para Educação está acima do piso constitucional calculado para 2027. Para a Saúde, a proposta contempla o piso da área.

Bolsa Família terá R$ 157,1 bilhões, mas sem reajuste previsto

O PLOA reserva R$ 157,1 bilhões para o Bolsa Família.

Isso não significa automaticamente aumento do benefício pago a cada família.

Segundo informações apresentadas pela Agência Câmara após o envio do projeto, o governo não incluiu reajuste do Bolsa Família na proposta atual.

O valor reservado serve para financiar os pagamentos previstos ao longo do ano, considerando o desenho atual do programa e a estimativa de beneficiários.

O Congresso ainda poderá modificar dotações durante a tramitação do Orçamento.

Saúde terá R$ 272,2 bilhões e Educação, R$ 141,2 bilhões

A previsão para a Saúde é de R$ 272,2 bilhões.

Esse dinheiro financia diversas políticas federais, transferências e ações ligadas ao SUS, incluindo atendimento, programas, hospitais e repasses para estados e municípios.

Para Educação, a proposta coloca R$ 141,2 bilhões, acima do piso calculado de R$ 138,8 bilhões.

Para o cidadão, essas cifras são relevantes porque ajudam a determinar a capacidade do governo federal de financiar serviços que chegam à população diretamente ou por meio de estados e municípios.

Mas orçamento autorizado não é a mesma coisa que dinheiro imediatamente gasto. A execução ocorre ao longo do ano e pode sofrer contingenciamentos ou mudanças conforme a arrecadação.

Governo prevê R$ 133,8 bilhões para investimentos

Outro número importante é a previsão de R$ 133,8 bilhões em investimentos.

O valor inclui recursos destinados a obras, infraestrutura e outros projetos de investimento público.

O piso previsto pelas regras fiscais para essa categoria seria de R$ 88,7 bilhões, portanto o projeto apresentado fica acima desse patamar.

Investimento público pode afetar a economia de diferentes maneiras, desde contratação de empresas e geração de empregos até melhoria de estradas, equipamentos públicos e infraestrutura.

O efeito, porém, depende de quais projetos receberão recursos e de quanto realmente será executado.

Correios podem receber aporte de R$ 6 bilhões

O governo incluiu no Orçamento uma previsão de R$ 6 bilhões para os Correios.

A estatal atravessa processo de reorganização financeira, e o Executivo afirma que a empresa vem reduzindo despesas e reestruturando sua dívida.

A inclusão deverá ser debatida no Congresso durante a análise da proposta, especialmente diante da situação financeira da empresa e do tamanho do aporte.

R$ 44,8 bilhões são reservados para emendas parlamentares obrigatórias

O projeto traz também R$ 44,8 bilhões em emendas parlamentares impositivas, referentes a emendas individuais de deputados e senadores e às bancadas estaduais.

São recursos que parlamentares direcionam a diferentes projetos, municípios, obras e políticas públicas.

As chamadas emendas impositivas possuem execução obrigatória, respeitadas as condições legais aplicáveis.

O governo espera terminar 2027 no azul

O projeto prevê um superávit primário efetivo de R$ 18,6 bilhões.

Em termos simples, significa que, desconsiderados os juros da dívida, o governo projeta arrecadar mais do que gastar nas chamadas despesas primárias.

Existe ainda outra conta usada especificamente para verificar o cumprimento da meta fiscal.

Após as exclusões permitidas pela legislação, o resultado ajustado projetado chega a R$ 83,4 bilhões, acima do centro da meta fiscal de R$ 73,2 bilhões, equivalente a 0,5% do PIB.

As duas cifras não são contraditórias: elas usam critérios diferentes.

Por que isso também pode afetar juros e inflação

Foto: Imagem Ilustrativa / Na Trama


Equilíbrio das contas públicas não muda o preço do supermercado de um dia para o outro.

Mas a trajetória de receitas, despesas e dívida influencia as expectativas sobre a economia.

Se investidores e agentes econômicos enxergam maior risco fiscal, isso pode pressionar juros, câmbio e custo de financiamento do governo.

Esses fatores acabam chegando às famílias por caminhos indiretos, como:

  • financiamento mais caro;

  • crédito pessoal;

  • parcelas de empresas;

  • câmbio;

  • inflação;

  • custo dos investimentos públicos.

Por isso, o resultado fiscal do Orçamento interessa também a quem nunca comprou um título público ou investiu na Bolsa.

Reforma tributária começa a aparecer no Orçamento

O PLOA de 2027 também traz uma novidade importante: passa a considerar a arrecadação com tributos da reforma do consumo.

Entram na conta a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto Seletivo.

Segundo o governo, a arrecadação estimada com os dois tributos é de cerca de R$ 678 bilhões. Eles fazem parte da transição que substitui tributos como PIS, Cofins e, em grande parte, o IPI.

Isso não significa que o PLOA, sozinho, esteja criando R$ 678 bilhões em novos impostos. A previsão faz parte da substituição promovida pela reforma tributária.

Economia projetada: PIB de 2,46% e inflação de 3,6%

Para calcular receitas e despesas, o governo precisa trabalhar com algumas previsões econômicas.

O cenário utilizado no projeto inclui:

  • crescimento do PIB: 2,46%;

  • inflação: 3,6%;

  • Selic: 12,53%;

  • câmbio médio: R$ 5,22 por dólar.

Essas projeções podem mudar ao longo do tempo.

Se crescimento, inflação ou arrecadação ficarem muito diferentes do projetado, o governo pode precisar rever a execução do Orçamento durante 2027.

O Orçamento de 2027 ainda não está aprovado

O envio ao Congresso é apenas o começo da etapa legislativa.

O projeto será examinado inicialmente pela Comissão Mista de Orçamento. Deputados e senadores poderão apresentar emendas e modificar partes da proposta.

Depois, o texto segue para votação pelo Congresso Nacional e, se aprovado, será enviado à sanção presidencial.

Existe ainda uma situação incomum: a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027 ainda não foi aprovada.

Como a LDO deveria orientar a elaboração do Orçamento, a Comissão Mista terá de analisar as duas matérias praticamente em paralelo e ajustar o PLOA às regras que forem aprovadas definitivamente.

Para acompanhar e organizar melhor o orçamento doméstico

As decisões do Orçamento federal não estão sob controle individual, mas o planejamento da própria casa está.

Livros de educação financeira, planners, calculadoras financeiras e materiais para organização de despesas podem ajudar quem pretende acompanhar reajustes de renda e controlar melhor os gastos em 2027.

O principal para o cidadão neste momento é separar proposta de decisão definitiva. O governo definiu onde gostaria de colocar os recursos em 2027, mas o Congresso ainda poderá alterar os números antes de o Orçamento virar lei.



Disclaimer de Afiliados, Transparência e Aviso Legal: Este artigo possui caráter exclusivamente educativo e informativo e não constitui recomendação de investimento ou decisão financeira. Os valores apresentados correspondem ao Projeto de Lei Orçamentária de 2027 enviado ao Congresso em 31 de agosto de 2026 e poderão sofrer alterações durante a tramitação. Este conteúdo pode conter links de afiliados, pelos quais o portal poderá receber comissão sem custo adicional ao leitor.

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