Crise no STF entra em nova fase: Fachin assume processos que envolvem Moraes e Mendonça

Presidente do Supremo concentra análise das acusações cruzadas, cobra informações da PGR, Polícia Federal e ministros e poderá levar os casos ao Plenário da Corte

Foto: Imagem Ilustrativa / Na Trama

A crise no STF envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça entrou em uma nova etapa neste início de setembro. O presidente da Corte, Edson Fachin, passou a concentrar na Presidência do Supremo os procedimentos relacionados às suspeitas surgidas no caso Banco Master e às acusações feitas posteriormente entre integrantes do próprio tribunal.

Na prática, Fachin agora reúne informações, cobra esclarecimentos e analisa a regularidade das medidas adotadas antes de decidir qual será o caminho processual.

Isso não significa que Moraes ou Mendonça estejam formalmente condenados ou que Fachin já tenha decidido pela abertura de investigações.

O movimento busca justamente criar um procedimento institucional comum em um momento no qual ministros do STF passaram a aparecer em lados opostos da mesma crise.

Como a crise chegou à Presidência do STF

O conflito ganhou força depois que André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal relacionado às investigações do Banco Master.

O material contém registros extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e mensagens que a investigação relacionou a um contato atribuído a Alexandre de Moraes.

A divulgação gerou questionamentos sobre a conduta de Moraes, mas também sobre a própria forma como as informações foram obtidas e tratadas durante a investigação.

A Procuradoria-Geral da República passou a contestar aspectos do procedimento e pediu a invalidação do relatório, alegando problemas na forma como determinadas diligências envolvendo autoridades com foro no Supremo teriam sido realizadas.

Diante da controvérsia, Fachin abriu um procedimento próprio sob responsabilidade da Presidência.

Fachin cobra explicações de Moraes, Mendonça, PGR e Polícia Federal

Uma das primeiras decisões do presidente do STF foi pedir informações a quatro personagens centrais da crise:

  • Alexandre de Moraes;

  • André Mendonça;

  • o procurador-geral da República, Paulo Gonet;

  • o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Fachin quer esclarecer, entre outros pontos, as circunstâncias das diligências determinadas durante as investigações, a forma como autoridades com foro foram identificadas e o eventual acesso a documentos particulares ou informações protegidas por sigilo.

Ao anunciar as providências, o presidente da Corte destacou a necessidade de respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.

O STF também afirmou oficialmente que cabe à Presidência zelar pelas prerrogativas da Corte durante a análise dos fatos.


Moraes também pediu investigação contra Mendonça

A crise deixou de envolver apenas suspeitas relacionadas a Moraes quando o próprio ministro apresentou documentos pedindo providências contra André Mendonça.

Moraes afirma haver indícios de possíveis irregularidades na atuação do colega à frente das investigações relacionadas às operações Compliance Zero, ligada ao Banco Master, e Sem Desconto, relacionada às fraudes no INSS.

Entre as acusações apresentadas estão suposto abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

Moraes também sustenta que Mendonça teria ultrapassado os limites da atuação judicial e direcionado determinados alvos das apurações por razões pessoais ou políticas.

Essas são acusações apresentadas por Moraes e ainda precisam passar pela análise institucional correspondente.

Fachin tira pedido do inquérito das fake news

Outro movimento importante ocorreu quando Fachin decidiu retirar o pedido de investigação contra Mendonça do inquérito das fake news.

O inquérito, aberto em 2019, é relatado pelo próprio Alexandre de Moraes.

Fachin determinou que a documentação fosse transferida para o procedimento conduzido pela Presidência do STF.

Com isso, as duas frentes da crise passaram a estar reunidas sob sua supervisão: de um lado, os elementos referentes a Moraes; do outro, as acusações formuladas por Moraes contra Mendonça.

A decisão reduz a possibilidade de que um dos ministros diretamente envolvidos controle sozinho parte central do procedimento sobre o colega.

PGR e Mendonça terão oportunidade de se manifestar

No procedimento relacionado às acusações de Moraes, Fachin estabeleceu prazos sucessivos.

Primeiro, a Procuradoria-Geral da República terá cinco dias úteis para analisar a admissibilidade e a regularidade do pedido e, se considerar necessário, entrar também no mérito das acusações.

Depois disso, André Mendonça terá outros cinco dias úteis para apresentar sua manifestação.

Segundo Fachin, essas providências servem para complementar a instrução e não antecipam qualquer conclusão sobre culpa, admissibilidade ou validade das acusações.

Até a atualização desta matéria, Mendonça ainda não havia apresentado resposta formal definitiva às acusações nesse procedimento.

O caso Moraes também continua aberto

A concentração dos procedimentos nas mãos de Fachin não encerra as questões relacionadas a Alexandre de Moraes.

O presidente do Supremo ainda precisa avaliar os elementos extraídos das investigações do Banco Master, as contestações feitas pela PGR e a maneira como as diligências foram realizadas.

Moraes já havia negado anteriormente ser destinatário de determinadas mensagens atribuídas a ele.

Em nota divulgada em março, o ministro afirmou que uma análise técnica indicava que mensagens de visualização única encontradas nos arquivos de Vorcaro estariam vinculadas a outros contatos.

O relatório posteriormente apresentado pela PF trouxe interpretação diferente, motivo pelo qual a identificação dos interlocutores e a validade do material continuam entre os pontos a serem esclarecidos.

Fachin poderá levar a discussão ao Plenário

Foto: Imagem Ilustrativa / Na Trama


O fato de Fachin ter assumido os procedimentos não significa que ele necessariamente decidirá sozinho o destino dos casos.

A expectativa é que, depois de reunir as explicações, o presidente avalie se determinadas questões precisam ser submetidas aos 11 ministros do Plenário do STF.

Reportagens desta sexta-feira indicam que Fachin sinalizou a intenção de buscar uma resposta colegiada para os fatos mais graves.

Esse caminho permitiria que decisões sobre eventual abertura de investigação contra integrantes do próprio Supremo fossem discutidas pelo conjunto da Corte.

Fachin promete resposta “firme, proporcional e rigorosa”

Em manifestação pública durante cerimônia no Palácio do Planalto, Fachin afirmou que a Corte não pretende agir com precipitação, mas também não ficará omissa.

O presidente do STF defendeu que nenhuma autoridade está acima da Constituição e afirmou que a resposta aos acontecimentos será firme e respeitará o devido processo legal.

Em pronunciamento oficial anterior, Fachin já havia afirmado que a autoridade do cargo não concede privilégios e que ministros possuem deveres, limites e responsabilidades.

Inquérito das fake news também entra no debate

A crise provocou ainda uma discussão paralela sobre o futuro do chamado inquérito das fake news.

Fachin declarou considerar urgente caminhar para a conclusão da investigação, aberta em 2019 e relatada por Moraes.

O presidente também voltou a defender medidas voltadas à ética e à governança interna do Judiciário, incluindo discussão sobre um código de conduta para magistrados.

O eventual encerramento do inquérito, porém, é uma questão diferente dos procedimentos envolvendo o Banco Master e as acusações entre Moraes e Mendonça.

O que acontece agora

A etapa atual é principalmente de coleta de informações e análise processual.

Fachin precisa receber as manifestações solicitadas, avaliar os questionamentos da PGR, examinar as acusações feitas pelos dois lados e decidir quais procedimentos possuem base jurídica para prosseguir.

Somente depois disso será possível saber se haverá:

investigação formal contra algum dos ministros, arquivamento de parte das acusações, remessa de questões ao Plenário ou adoção de outras medidas institucionais.

Portanto, manchetes que afirmem neste momento que Moraes ou Mendonça já foram considerados culpados ultrapassam aquilo que os procedimentos permitem afirmar.

Por que a crise é importante para quem está fora de Brasília

O conflito pode parecer restrito ao STF, mas envolve uma questão mais ampla: quem fiscaliza autoridades que ocupam os cargos mais altos do Judiciário e quais regras devem valer quando as suspeitas atingem integrantes da própria Corte.

A credibilidade das investigações depende tanto da apuração dos fatos quanto da garantia de defesa a todos os envolvidos.

É justamente esse equilíbrio que Fachin tenta estabelecer ao deslocar o centro da crise para a Presidência do Supremo e, potencialmente, para uma decisão colegiada do Plenário.

Para entender melhor o funcionamento do Supremo

Constituições comentadas, livros de Direito Constitucional e obras sobre separação dos Poderes podem ajudar o leitor a compreender atribuições do STF, da Procuradoria-Geral da República e das demais instituições envolvidas.


Transparência Editorial: Esta matéria possui caráter exclusivamente informativo e apartidário. As acusações envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça ainda estão sob análise institucional e não representam condenação ou reconhecimento definitivo de irregularidades.

Fontes Oficiais Utilizadas: Supremo Tribunal Federal e informações processuais divulgadas pela Corte. Para a reconstrução dos acontecimentos e apresentação das versões envolvidas foram consultados também Agência Brasil, CNN Brasil, UOL e Folha de S.Paulo.



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