Cartão de crédito: juros podem dobrar a dívida? Entenda o limite de 100% do rotativo
Regra limita juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura, mas isso não torna o cartão barato; veja como funciona e quais dívidas estão protegidas.
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Juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura estão sujeitos a um limite ligado ao valor original da dívida. |
Deixar parte da fatura do cartão sem pagar ainda pode custar caro, mas existe um limite para o crescimento dos juros e encargos.
Desde 3 de janeiro de 2024, o total cobrado em juros e encargos financeiros no crédito rotativo e no parcelamento do saldo da fatura não pode ultrapassar 100% do valor original da dívida.
Isso significa que uma dívida original de R$ 1.000 pode acumular, no máximo, outros R$ 1.000 em juros e encargos financeiros abrangidos pela regra.
O valor total, nesse exemplo, poderia chegar a R$ 2.000.
O limite não significa que a taxa de juros do cartão caiu para 100% ao ano. Ele funciona como um teto para o total de juros e encargos acumulados sobre aquela dívida específica.
Como funciona o limite de 100% dos juros do cartão
A regra foi criada pela Lei nº 14.690/2023 e passou a valer para operações de cartão originadas a partir de 3 de janeiro de 2024.
Ela estabelece que o total cobrado em:
juros;
encargos financeiros;
encargos do crédito rotativo;
encargos do parcelamento da fatura;
não pode superar o valor original que deixou de ser pago.
Um exemplo simples ajuda a entender.
Exemplo hipotético com dívida de R$ 500
Imagine uma fatura em que R$ 500 ficaram sem pagamento.
O limite de juros e encargos será de outros:
R$ 500.
Assim, dentro dessa regra, o total relacionado àquela dívida poderia chegar a:
R$ 1.000.
São R$ 500 da dívida original mais até R$ 500 em juros e encargos.
Então a dívida pode dobrar?
Sim.
É exatamente por isso que a expressão “limite de 100%” pode gerar confusão.
O limite de 100% se refere aos juros e encargos, e não ao valor final da dívida.
Se o consumidor devia originalmente R$ 1.000, os juros e encargos podem alcançar outros R$ 1.000.
O saldo total chegaria a R$ 2.000.
Por isso, a regra impede que uma dívida do rotativo cresça indefinidamente, mas não elimina o risco de um endividamento pesado.
A regra vale para toda compra parcelada no cartão?
Não.
Esse é um ponto fundamental.
O limite não inclui uma compra feita originalmente no comércio com parcelamento e cobrança de juros.
Por exemplo:
Uma pessoa compra um produto e escolhe no momento da compra pagar em 12 parcelas com juros.
Essa operação não é a mesma coisa que deixar a fatura do cartão sem pagar.
O teto de 100% foi criado para o saldo devedor da fatura, incluindo o crédito rotativo e o parcelamento dessa dívida.
O que é crédito rotativo do cartão
O rotativo aparece quando o cliente não paga a fatura integral e deixa uma parte para o mês seguinte sem contratar imediatamente um parcelamento.
Exemplo hipotético:
Fatura: R$ 2.000.
Pagamento realizado: R$ 1.500.
Valor restante:
R$ 500.
Esse saldo de R$ 500 pode entrar no crédito rotativo e passa a sofrer incidência de juros e encargos previstos no contrato.
O rotativo é uma modalidade de crédito e não simplesmente um adiamento gratuito da fatura.
Por quanto tempo posso ficar no rotativo?
O uso do rotativo é limitado.
O saldo só pode permanecer nessa modalidade até o vencimento da fatura seguinte, normalmente por cerca de 30 dias.
Depois disso, a instituição precisa oferecer outra forma de financiamento para o saldo, quando aplicável, ou o consumidor terá de quitar a dívida.
O objetivo é evitar que o cliente permaneça indefinidamente em uma das modalidades de crédito mais caras do mercado.
E se o banco parcelar a dívida depois?
O limite de 100% continua valendo.
Isso significa que migrar a dívida do rotativo para um parcelamento da fatura não reinicia a contagem do teto.
Exemplo hipotético:
Dívida original:
R$ 1.000.
Depois de juros do rotativo:
R$ 1.200.
Se esse saldo for posteriormente parcelado, o limite de juros e encargos continua ligado à dívida original de R$ 1.000.
O banco não pode aplicar mais R$ 1.000 de encargos sobre os R$ 1.200 e criar um novo teto.
O limite vale para dívidas antigas?
Não para todas.
A regra aplica-se às operações originadas a partir de 3 de janeiro de 2024.
Uma dívida de cartão criada antes dessa data pode seguir regras anteriores.
Por isso, quem possui uma dívida antiga deve verificar a data de origem da operação e as condições do contrato.
Multa e juros de atraso também entram no limite?
Quando estão ligados à operação de crédito abrangida pela regra, esses encargos também entram no cálculo do teto.
O Banco Central esclarece que o limite continua valendo inclusive quando o rotativo é transformado em parcelamento, abrangendo juros e encargos financeiros aplicáveis à dívida.
O objetivo é impedir que cobranças adicionais façam o custo ultrapassar o limite previsto.
Pagar o mínimo da fatura ainda é perigoso?
Sim.
O teto evita crescimento ilimitado, mas uma dívida que pode chegar ao dobro do valor original continua sendo cara.
Imagine alguém que deixe R$ 5.000 no rotativo.
Mesmo com o limite, juros e encargos podem alcançar até outros:
R$ 5.000.
O total pode chegar a:
R$ 10 mil.
Por isso, pagar o mínimo repetidamente não deve ser tratado como uma solução de longo prazo.
O que acontece se eu não pagar nem o mínimo
Quando o consumidor não paga o valor mínimo exigido ou não realiza o pagamento devido, pode entrar em situação de inadimplência.
Nesse caso, podem ser aplicados os procedimentos previstos no contrato, incluindo encargos por atraso dentro das regras aplicáveis.
Também podem ocorrer:
bloqueio do cartão;
cobrança da dívida;
registro de inadimplência, quando cabível;
redução de limite;
dificuldade para conseguir crédito.
O consumidor deve verificar as condições previstas pela instituição financeira.
Parcelar a fatura é melhor que entrar no rotativo?
Pode ser mais barato, mas é preciso comparar.
As instituições podem oferecer parcelamento da fatura com taxa inferior à do rotativo.
O importante é observar o Custo Efetivo Total, o CET, que representa o custo total da operação, incluindo juros e demais encargos.
Não basta olhar apenas o valor da parcela.
Uma parcela menor por muitos meses pode resultar em um custo total elevado.
Como comparar uma proposta de parcelamento
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Antes de parcelar a fatura, é importante comparar juros, CET, quantidade de prestações e o total pago. |
Antes de aceitar, verifique:
valor total da dívida;
entrada;
quantidade de parcelas;
valor de cada parcela;
taxa de juros;
CET;
valor total pago até o final.
Exemplo hipotético
Uma dívida de R$ 1.000 pode ser oferecida em dez parcelas de R$ 140.
Nesse exemplo ilustrativo, o pagamento total seria:
R$ 1.400.
A comparação deve ser feita com outras alternativas disponíveis, e não apenas com o valor mensal da parcela.
Dá para transferir a dívida para outro banco?
Sim.
O saldo devedor de operações de crédito rotativo e de parcelamento de fatura pode ser transferido por meio de portabilidade de crédito.
Se outra instituição oferecer condições melhores, o consumidor pode solicitar a transferência.
A instituição original pode apresentar contraproposta.
O consumidor deve comparar principalmente o CET e o valor total que será pago.
O banco é obrigado a mostrar os custos
A fatura precisa trazer informações que permitam entender o financiamento do saldo.
As regras do Banco Central ampliaram a transparência sobre:
saldo devedor;
encargos;
opções de pagamento;
parcelamento;
consequências de não pagar;
formas de quitar antecipadamente.
A instituição também deve informar alternativas disponíveis quando o cliente deixa saldo pendente.
Posso quitar o parcelamento antes
Sim.
O consumidor tem direito à liquidação antecipada total ou parcial da dívida.
Quando isso acontece, deve haver redução proporcional dos juros e demais acréscimos futuros que ainda não venceram, conforme as regras aplicáveis ao crédito.
Isso pode ser útil para quem conseguiu reorganizar o orçamento e quer encerrar a dívida antes do prazo.
O teto de 100% torna o cartão seguro para se endividar?
Não.
O limite é uma proteção contra crescimento excessivo da dívida, mas não transforma o rotativo em crédito barato.
Uma dívida que chega ao dobro do valor originalmente não pago ainda pode comprometer seriamente o orçamento.
A prioridade deve ser evitar permanecer no rotativo quando houver alternativa financeiramente mais adequada.
O que fazer quando não consigo pagar a fatura inteira
Uma sequência prática pode ajudar:
veja quanto consegue pagar sem comprometer despesas essenciais;
consulte as opções de parcelamento oferecidas;
compare o CET;
verifique alternativas de crédito mais baratas;
evite continuar fazendo novas compras no cartão enquanto reorganiza a dívida;
considere portabilidade se outra instituição oferecer custo menor;
procure renegociar antes que a dívida comprometa ainda mais o orçamento.
O objetivo não é apenas diminuir a parcela mensal, mas reduzir o custo total da dívida.
Resumo: como funciona o limite dos juros do cartão
As principais regras são:
vale para dívidas originadas a partir de 3 de janeiro de 2024;
abrange crédito rotativo;
abrange parcelamento do saldo da fatura;
juros e encargos não podem superar 100% da dívida original;
uma dívida de R$ 1.000 pode chegar a até R$ 2.000 dentro dessa regra;
migrar o rotativo para parcelamento não cria um novo limite;
compras originalmente parceladas com juros não entram nessa regra;
o rotativo continua sendo uma modalidade cara de crédito;
o consumidor pode comparar opções e solicitar portabilidade da dívida.
Fontes consultadas
Banco Central do Brasil — FAQ sobre limitação dos juros e encargos do cartão.
Banco Central do Brasil — estatísticas de juros acumulados no cartão de crédito.
Banco Central do Brasil — regras sobre pagamento mínimo, rotativo e parcelamento.
Banco Central do Brasil — portabilidade do saldo devedor da fatura.
Lei nº 14.690/2023 — limite para juros e encargos do crédito rotativo e parcelamento da fatura.
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