Sinal vermelho na TV aberta: streaming já supera a Globo em 8 capitais brasileiras

Levantamento com dados de audiência de junho de 2026 revela mudança importante no hábito dos brasileiros: plataformas de streaming já aparecem à frente da Globo em oito mercados medidos, enquanto São Paulo se aproxima de um empate.

Foto: Imagem Ilustrativa / Na Trama

Uma mudança que há poucos anos parecia distante já começa a aparecer nos números da televisão brasileira. Serviços de streaming superaram a audiência mensal da Globo em oito mercados do Painel Nacional de Televisão, segundo levantamento publicado neste sábado, 29 de agosto, pelo TV Pop com base em dados de junho de 2026.

O movimento chama atenção porque não envolve apenas uma cidade ou uma situação isolada. Porto Alegre, Fortaleza, Curitiba, Distrito Federal, Campinas, Vitória, Manaus e Florianópolis aparecem com o streaming à frente da Globo na média mensal.

A situação não significa que a Globo tenha perdido sua liderança nacional. No consolidado do PNT apresentado no levantamento, a emissora ainda aparece na frente, com 11,0 pontos de média, contra 10,3 pontos da soma dos serviços de streaming. Mas a distância já é pequena o suficiente para ligar um sinal de alerta sobre a transformação do consumo de vídeo no país.

As 8 regiões onde o streaming já passou a Globo

Os números de junho mostram uma divisão do mapa brasileiro que seria difícil imaginar durante décadas de domínio absoluto da televisão aberta.

Nas regiões em que o streaming aparece na primeira posição, os resultados publicados foram:

  • Porto Alegre: streaming 12,1 pontos; RBS TV/Globo 10,8;
  • Fortaleza: streaming 10,8; TV Verdes Mares/Globo 9,8;
  • Curitiba: streaming 10,5; RPC/Globo 10,0;
  • Distrito Federal: streaming 10,4; Globo 9,4;
  • Campinas: streaming 12,2; EPTV/Globo 9,9;
  • Vitória: streaming 11,0; TV Gazeta/Globo 8,2;
  • Manaus: streaming 11,4; Rede Amazônica/Globo 10,8;
  • Florianópolis: streaming 12,0; NSC TV/Globo 10,0.

O Sul merece atenção especial: entre as praças medidas apresentadas no levantamento — Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis — o streaming ficou à frente da Globo em todas elas.

Um detalhe nos números chama atenção

Há uma inconsistência no texto original do levantamento que merece ser registrada.

A reportagem afirma que Campinas teria a maior desvantagem da Globo diante do streaming, com diferença de 2,3 pontos. De fato, Campinas registrou 12,2 para as plataformas contra 9,9 da EPTV.

Entretanto, a própria tabela publicada mostra Vitória com 11,0 pontos para o streaming e 8,2 para a TV Gazeta, uma diferença matemática de 2,8 pontos. Portanto, considerando estritamente os números apresentados na tabela, Vitória exibe uma distância maior.

São Paulo está muito perto de virar

Talvez um dos números mais importantes esteja justamente em uma cidade em que o streaming ainda não venceu.

Na Grande São Paulo, principal mercado publicitário e televisivo do país, a Globo marcou 10,8 pontos, enquanto os serviços de streaming chegaram a 10,4.

A diferença é de apenas quatro décimos.

Record apareceu bem atrás, com 3,2 pontos, seguida pelo SBT, com 2,8. A televisão por assinatura somou 2,2 pontos.

Isso não permite prever que o streaming necessariamente ultrapassará a Globo nos próximos meses, mas mostra que a disputa pelo aparelho de televisão mudou radicalmente.

A TV da sala deixou de servir apenas para assistir aos canais tradicionais. Ela também virou porta de entrada para plataformas de vídeo sob demanda e outros serviços digitais.

Rio ainda é uma fortaleza da Globo

Se São Paulo apresenta equilíbrio, o Rio de Janeiro conta uma história diferente.

A Globo registrou 13 pontos de média mensal, sua melhor performance entre as praças apresentadas no levantamento. O streaming ficou em 11 pontos.

A diferença ainda dá uma margem confortável à emissora no mercado carioca.

Belo Horizonte também continua mais favorável à televisão tradicional: Globo com 10 pontos contra 7,9 do streaming.

Salvador apresenta uma distância ainda maior, com 11,7 pontos da Rede Bahia contra 8,1 das plataformas. Em Recife, a Globo marcou 12,4 contra 10,6.

Goiânia também está por um fio

Outro mercado que merece atenção é Goiânia.

A Rede Anhanguera, afiliada da Globo, marcou 8,5 pontos no levantamento. Os serviços de streaming ficaram com 8,3.

Novamente, uma diferença mínima.

Ao mesmo tempo, Goiânia foi o melhor mercado nacional da Record entre os apresentados, com 3,9 pontos de média.

Os números mostram que a transformação não acontece na mesma velocidade em todo o Brasil.

Há cidades em que a Globo ainda mantém vantagem considerável e outras em que streaming e televisão aberta praticamente dividem a liderança.

O problema não é exclusivo da Globo

Foto: Imagem Ilustrativa / Na Trama


Embora a liderança da Globo naturalmente chame mais atenção, o levantamento também revela dificuldades para outras emissoras.

A Record teve sua melhor média em Goiânia, com 3,9 pontos, e sua menor em Belém, com 1,4.

O SBT alcançou seu melhor desempenho em Fortaleza, onde a TV Jangadeiro marcou 3,5 pontos. Campinas e Belém ficaram entre seus mercados de menor audiência, com 1,4 ponto.

A Band teve seu maior resultado em São Paulo, com 0,9 ponto, enquanto a RedeTV! atingiu 0,3 na mesma praça.

Também chama atenção o enfraquecimento da própria televisão por assinatura tradicional. Segundo o levantamento, os canais pagos ficaram abaixo de um ponto de média mensal nas três capitais nordestinas aferidas e também em Belém. No Recife, somaram apenas 0,5 ponto.

A TV aberta acabou? Os números não dizem isso

É importante evitar uma conclusão precipitada.

Os dados não mostram o fim da televisão aberta.

No consolidado nacional apresentado, a Globo continua à frente do streaming. Além disso, atrações específicas ainda conseguem reunir grandes públicos simultaneamente.

Em 27 de agosto, por exemplo, uma entrevista exibida pela Globo alcançou 25,18 pontos de média em São Paulo e 30,02 no Rio de Janeiro, demonstrando que grandes eventos ao vivo continuam capazes de concentrar enorme audiência na televisão tradicional.

O que os dados de junho indicam é outra coisa: o público agora dispõe de muito mais opções e está distribuindo seu tempo entre diferentes formas de assistir conteúdo.

É uma mudança estrutural na disputa pela atenção.

A batalha agora acontece dentro da própria televisão

A ironia dessa transformação é que streaming e TV aberta muitas vezes disputam audiência no mesmo aparelho.

Smart TVs transformaram a antiga tela dedicada aos canais tradicionais em uma central de entretenimento.

Com poucos comandos, o espectador pode abandonar uma novela ou programa ao vivo e abrir um serviço de streaming.

Isso significa que a nova batalha das emissoras não é simplesmente contra outra emissora.

É contra praticamente qualquer conteúdo disponível naquela tela.

Quer transformar sua TV em uma central de entretenimento?

Para quem possui uma televisão sem sistema inteligente ou deseja ampliar suas opções de aplicativos, dispositivos oficiais de streaming podem permitir acesso a serviços de filmes, séries, vídeos e plataformas digitais diretamente na TV.


O sinal de alerta está ligado

Durante décadas, a principal disputa da televisão brasileira era relativamente previsível: Globo, Record, SBT, Band e outras redes brigavam entre si pela atenção do telespectador.

Os dados de junho de 2026 mostram uma realidade bem diferente.

Em oito mercados analisados, o primeiro colocado não foi uma emissora de televisão aberta, mas o conjunto das plataformas de streaming.

E duas praças importantes estão perigosamente próximas de mudar de lado: São Paulo, com Globo 10,8 contra streaming 10,4, e Goiânia, com 8,5 contra 8,3.

Ao mesmo tempo, o PNT ainda mantém a Globo na liderança: 11,0 contra 10,3.

Não é o fim da televisão aberta.

Mas é um sinal inequívoco de que a disputa pela maior tela da casa nunca esteve tão aberta.


Aviso legal: As marcas, emissoras e serviços mencionados nesta reportagem pertencem aos respectivos titulares. O Na Trama não possui vínculo oficial com as empresas citadas. Os dados foram utilizados para fins exclusivamente jornalísticos e informativos.

Transparência: Esta reportagem utiliza dados de audiência de junho de 2026 publicados pelo TV Pop, que afirma ter obtido os números aferidos pelo Ibope. Os resultados representam aquele período específico e não significam que o streaming tenha superado a soma de toda a TV aberta brasileira.

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