Mudança brusca de temperatura faz mal? Entenda por que o “bota casaco, tira casaco” pode afetar a saúde

Oscilações rápidas entre frio e calor podem irritar as vias respiratórias, piorar rinite e asma e exigir mais do sistema cardiovascular — especialmente em pessoas mais vulneráveis

Foto: Imagem Ilustrativa / Na Trama

Quem sai de casa de manhã com frio, enfrenta calor à tarde e volta a vestir casaco à noite conhece bem a sensação de passar o dia tentando acompanhar o termômetro. A chamada mudança brusca de temperatura pode, sim, afetar o organismo, principalmente quando vem acompanhada de ar seco, poluição ou doenças respiratórias já existentes. Mas há um ponto importante: o frio, por si só, não “causa gripe”. A gripe é provocada pelo vírus influenza. O que a oscilação térmica pode fazer é favorecer irritações, piorar sintomas e deixar as vias aéreas mais vulneráveis.

A preocupação ganhou força nesta semana com a alternância entre dias frios e quentes em várias regiões do país. Especialistas ouvidos pela CNN Brasil destacam que essas mudanças podem afetar principalmente os sistemas respiratório e cardiovascular, com maior impacto em crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.

Por que o corpo sente tanto quando a temperatura muda rápido?

O organismo trabalha o tempo todo para manter sua temperatura interna relativamente estável.

Quando o ambiente esfria de repente, vasos sanguíneos podem se contrair, a pele perde menos calor e o corpo passa a gastar energia para manter o equilíbrio. Se logo depois a temperatura sobe, acontece uma nova adaptação.

Nas vias respiratórias, o efeito pode ser ainda mais perceptível. A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia explica que o ar frio e seco pode ressecar o muco e diminuir a eficiência dos cílios respiratórios, estruturas microscópicas que ajudam a remover partículas, alérgenos e microrganismos.

É por isso que algumas pessoas começam a apresentar sintomas como:

  • nariz entupido ou escorrendo;
  • espirros;
  • tosse;
  • irritação na garganta;
  • chiado no peito;
  • sensação de cansaço ou indisposição.

Quem já tem asma ou rinite tende a sentir mais. O próprio Ministério da Saúde inclui mudanças climáticas entre os fatores capazes de agravar crises de asma.

Então “pegar friagem” dá gripe?

Mudança brusca de temperatura pode afetar a saúde respiratória
Oscilações rápidas de temperatura podem ressecar as vias respiratórias e agravar sintomas de rinite e asma.


Não da forma como muita gente imagina.

A gripe é causada pelo vírus influenza, enquanto resfriados podem ser provocados por rinovírus, vírus parainfluenza, vírus sincicial respiratório e outros agentes.

O frio não cria esses vírus.

Por outro lado, temperaturas mais baixas e baixa umidade podem favorecer condições que aumentam a ocorrência de infecções respiratórias. Além disso, em dias frios as pessoas tendem a permanecer mais tempo em ambientes fechados, o que facilita a transmissão de vírus entre indivíduos.

A ASBAI também ressalta que mudanças rápidas entre frio e calor podem prejudicar temporariamente as defesas naturais da mucosa respiratória e potencializar a ação de vírus, alérgenos e poluentes.

O coração também sente a mudança de temperatura

Os efeitos não ficam restritos ao nariz e aos pulmões.

No frio, ocorre vasoconstrição, ou seja, os vasos sanguíneos ficam mais estreitos. Isso pode elevar a pressão arterial e aumentar o trabalho do coração.

Uma declaração científica da American Heart Association publicada em 2026 destaca que tanto temperaturas muito baixas quanto muito altas estão associadas a maior risco de eventos cardiovasculares, sobretudo entre idosos e pessoas que já possuem doenças do coração.

Isso não significa que qualquer mudança de cinco ou dez graus vá provocar um problema cardíaco em uma pessoa saudável. O risco é maior principalmente em quem já tem hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmias ou outras doenças cardiovasculares.

Quem precisa ter mais cuidado?

Os efeitos podem ser mais intensos em alguns grupos:

  • crianças pequenas;
  • idosos;
  • gestantes;
  • pessoas com asma, rinite ou bronquite;
  • quem tem doenças cardiovasculares;
  • pessoas com outras condições crônicas.

A CNN Brasil destaca ainda que mudanças rápidas podem estar associadas a cansaço, cefaleia, dores no corpo e indisposição durante o período de adaptação do organismo.

O que fazer nos dias de “bota casaco, tira casaco”?

Alguns cuidados simples podem diminuir o desconforto.

A ASBAI recomenda vestir-se em camadas, facilitando a retirada ou colocação de peças conforme a temperatura muda. Também orienta hidratação, lavagem nasal com soro fisiológico, ventilação dos ambientes, redução de poeira e mofo e proteção das vias respiratórias nas horas mais frias e secas.

Quem tem asma ou rinite deve manter o tratamento prescrito e evitar suspender medicamentos por conta própria.

Também vale manter a vacinação contra gripe e Covid-19 atualizada, além de cuidar do sono, alimentação e hidratação.

Quando procurar atendimento médico?

Na maioria dos casos, sintomas leves melhoram com medidas simples.

Mas alguns sinais merecem atenção.

Procure avaliação médica se houver falta de ar em repouso, chiado persistente, dor no peito, febre alta ou persistente, desmaio ou piora rápida de uma doença respiratória ou cardiovascular.

Esses sintomas não devem ser atribuídos automaticamente apenas à mudança do clima.

Produtos que podem ajudar no conforto diário

Itens como umidificadores, garrafas térmicas, termômetros de ambiente e acessórios para manter hidratação e conforto térmico podem ser úteis em períodos de clima seco ou de grande variação de temperatura.



Fontes utilizadas

A pauta foi aprofundada com informações recentes da CNN Brasil, orientações da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, dados do Ministério da Saúde, estudos disponíveis no PubMed e uma declaração científica de 2026 da American Heart Association sobre temperatura e saúde cardiovascular.

Aviso Médico e Editorial: Este conteúdo possui caráter estritamente informativo e educativo, não substituindo a consulta ou diagnóstico de profissionais de saúde. Este artigo pode conter links de afiliados.


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