Paolla Oliveira se assusta com vídeo íntimo falso criado por IA: “Gelei quando recebi”

Atriz denunciou o uso criminoso de seu rosto em conteúdos manipulados e alertou para uma violência digital que também atinge mulheres anônimas e adolescentes

Arte: Na Trama (com fotos de Reprodução/@paollaoliveirareal)

Paolla Oliveira revelou ter ficado em choque ao receber um vídeo íntimo falso produzido com seu rosto. A gravação, criada com inteligência artificial, simulava uma situação que nunca aconteceu. O caso foi relatado pela atriz durante uma reportagem do Fantástico, exibida no domingo, 2 de agosto.

“Gelei quando recebi um vídeo falso pornográfico com o meu rosto”, afirmou a artista. Além das gravações de teor sexual, Paolla contou que já encontrou vídeos nos quais aparece dizendo frases que nunca pronunciou e fotografias que jamais tirou.

O desabafo expõe um problema que deixou de atingir apenas pessoas famosas. Ferramentas de inteligência artificial estão sendo usadas para aplicar o rosto de mulheres em corpos e situações falsas, criando materiais capazes de provocar constrangimento, danos à reputação e sofrimento psicológico.

Pesquisa encontrou 198 anúncios falsos com a imagem de Paolla Oliveira

O tamanho da exploração da imagem da atriz foi revelado por uma pesquisa do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o NetLab/UFRJ.

Durante aproximadamente três meses de monitoramento, os pesquisadores identificaram 198 anúncios falsos utilizando a imagem de Paolla Oliveira. Desse total, 191 encaminhavam os usuários para grupos em aplicativos de mensagens nos quais eram comercializadas centenas de conteúdos íntimos falsificados.

Os anúncios funcionavam como uma espécie de isca. O nome e o rosto da atriz despertavam a curiosidade dos usuários, que eram direcionados para ambientes fechados onde os materiais manipulados eram vendidos.

O levantamento mostra que a prática não se resume a uma montagem isolada compartilhada nas redes sociais. Existe uma estrutura organizada para anunciar, distribuir e lucrar com imagens produzidas sem qualquer autorização da pessoa retratada. As informações foram divulgadas pela reportagem sobre o caso de Paolla Oliveira.


O que é um deepfake?

Deepfake é o nome dado a uma imagem, gravação de voz ou vídeo produzido ou modificado por inteligência artificial para parecer verdadeiro. A tecnologia consegue reproduzir rostos, expressões, movimentos e vozes com um nível de realismo cada vez maior.

A Agência Nacional de Proteção de Dados alerta que essas manipulações podem ser usadas em fraudes, golpes, desinformação e produção de conteúdos sexualizados sem consentimento.

No caso denunciado por Paolla Oliveira, seu rosto foi inserido artificialmente em um material íntimo. Apesar de o vídeo ser falso, o dano causado pode ser verdadeiro. Muitas pessoas recebem a gravação sem saber que ela foi manipulada e acabam ajudando a espalhá-la.

Compartilhar esse tipo de conteúdo, mesmo por curiosidade, amplia a exposição da vítima e alimenta o mercado clandestino que lucra com a violência digital.

Foto: Imagem Ilustrativa / Na Trama



A legislação brasileira protege as vítimas?

Em abril de 2025, a Lei nº 15.123 passou a determinar o aumento de metade da pena para o crime de violência psicológica contra a mulher quando praticado com inteligência artificial ou outro recurso que altere sua imagem ou voz. O texto completo pode ser consultado no site da Presidência da República.

Outra proteção importante entrou em vigor em julho de 2026. O Decreto nº 12.976 estabeleceu que as plataformas devem retirar da exibição conteúdos íntimos divulgados sem autorização, inclusive os manipulados por IA, em até duas horas após receberem a notificação da vítima ou de seu representante.

O decreto também proíbe que serviços de inteligência artificial ofereçam recursos destinados à criação de imagens íntimas falsas de terceiros. As plataformas devem adotar mecanismos capazes de bloquear solicitações dessa natureza.

O que fazer ao encontrar uma imagem íntima falsa?

A primeira orientação é não compartilhar o conteúdo. Se a própria vítima encontrar a publicação, deve preservar as provas antes de solicitar a remoção, registrando capturas de tela, endereço da página, nome do perfil, data e horário.

Em seguida, é recomendável utilizar o canal de denúncia da plataforma e pedir a retirada por uso indevido de imagem ou exposição íntima sem consentimento. A ocorrência também pode ser registrada na Polícia Civil, inclusive pela Delegacia Virtual nos estados em que o serviço estiver disponível.

Mulheres vítimas de violência digital podem procurar orientação pela Central de Atendimento à Mulher, no telefone 180, que funciona gratuitamente durante 24 horas. Violações de direitos humanos também podem ser comunicadas pelo Disque 100.

O relato de Paolla Oliveira ajuda a derrubar uma ideia perigosa: a de que, por ser artificial, o conteúdo não provocaria vítimas reais. A imagem pode ser falsa, mas o constrangimento, o medo e os prejuízos causados à pessoa retratada são completamente verdadeiros.


Aviso de transparência: conteúdo informativo produzido a partir da entrevista exibida pelo Fantástico e de informações do NetLab/UFRJ, ANPD, Ministério das Mulheres e legislação federal. A matéria não substitui orientação jurídica e não contém links de afiliados.

 

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