2026 pode terminar como o ano mais quente já registrado; El Niño muito forte preocupa cientistas
Ano ainda ocupa a terceira posição entre os mais quentes, mas oceanos em níveis recordes e o rápido fortalecimento do El Niño aumentam a possibilidade de novos recordes nos próximos meses
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| Foto: Imagem Ilustrativa / Na Trama |
O ano de 2026 ainda não é o mais quente já registrado, mas esse cenário pode mudar até dezembro. Dados climáticos analisados por cientistas colocam o período, até agora, atrás de 2024 e 2025. O que elevou o alerta foi a combinação entre o aquecimento global provocado pelas emissões de gases de efeito estufa, temperaturas recordes nos oceanos e um El Niño que ganha força rapidamente no Pacífico.
O climatologista Zeke Hausfather, da Berkeley Earth, estima atualmente em cerca de 35% a possibilidade de 2026 superar 2024 como o ano mais quente da série histórica. Em março, essa estimativa era de apenas 7%. Outros pesquisadores consideram que, mesmo que o recorde não seja quebrado neste ano, 2027 tem grande possibilidade de alcançar temperaturas ainda maiores.
Oceanos já estão quebrando recordes
Um dos principais sinais vem do mar. O serviço climático europeu Copernicus informou que as temperaturas globais da superfície dos oceanos começaram a superar, em junho, os recordes registrados no mesmo período de 2023 e 2024.
Em 21 de junho, a temperatura média da superfície do mar nas áreas monitoradas pelo Copernicus Climate Change Service chegou a 20,86°C, ligeiramente acima dos valores observados nos dois anos anteriores. O Copernicus Marine registrou cerca de 21°C no mesmo dia.
Além disso, aproximadamente 82% da superfície oceânica mundial enfrenta condições de onda de calor marinha neste ano, segundo dados do Copernicus citados pela Associated Press. Como os oceanos cobrem mais de 70% da superfície terrestre, esse excesso de energia influencia diretamente o sistema climático.
El Niño deve ficar ainda mais forte
O El Niño já está estabelecido e deve continuar se intensificando durante o segundo semestre. Em julho, a NOAA calculava 81% de chance de o fenômeno atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro de 2026. A previsão também apontava 97% de probabilidade de sua permanência até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte.
Modelos experimentais do Laboratório de Dinâmica de Fluidos Geofísicos da NOAA também projetam um evento excepcionalmente intenso. As simulações de julho indicavam que todas as 30 projeções analisadas alcançavam níveis comparáveis aos maiores episódios de El Niño registrados no último século.
É daí que vem a expressão “super El Niño”, usada informalmente para eventos extremamente fortes. A Organização Meteorológica Mundial, porém, prefere falar em El Niño forte ou muito forte e alerta que intensidade elevada não significa que todos os lugares sofrerão os mesmos efeitos.
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| Aquecimento anormal das águas do Pacífico fortalece o El Niño e pode alterar padrões de temperatura e chuva em diversas regiões. |
O calor atual não pode ser colocado na conta do El Niño
Há uma diferença importante. As ondas de calor, incêndios e temperaturas extremas registradas durante boa parte de 2026 não foram provocadas principalmente pelo atual El Niño, porque os efeitos globais mais fortes do fenômeno levam algum tempo para aparecer.
Especialistas ouvidos pela Associated Press afirmam que o principal responsável pelo nível atual de aquecimento continua sendo a mudança climática causada pela atividade humana. O El Niño funciona como um impulso temporário adicional sobre uma tendência de longo prazo que já está elevada.
Isso ajuda a explicar a preocupação para os próximos meses: o fenômeno ainda poderá acrescentar calor a um planeta que já apresenta temperaturas excepcionalmente altas.
E o que pode acontecer no Brasil?
No Brasil, os órgãos oficiais já acompanham os efeitos do fenômeno. O INMET informou em julho que padrões atmosféricos típicos do El Niño começaram a favorecer o aumento das chuvas na Região Sul. De forma geral, o fenômeno tende a provocar mais chuva no Sul e redução das precipitações em áreas do Norte e Nordeste.
O Painel El Niño 2026-2027, elaborado por instituições como INPE, INMET, Cemaden, ANA e Defesa Civil, também aponta alta probabilidade de temperaturas acima da média durante o segundo semestre, aumentando o risco de ondas de calor e incêndios florestais.
As consequências, no entanto, não podem ser previstas apenas pela presença do El Niño. Outros fatores oceânicos e atmosféricos interferem na quantidade de chuva, temperatura e intensidade dos eventos extremos em cada região.
2027 pode ser ainda mais quente
Mesmo entre cientistas que divergem sobre a possibilidade de 2026 terminar na liderança do ranking, existe preocupação crescente com 2027. Isso acontece porque o efeito máximo de um El Niño intenso sobre a temperatura média global costuma aparecer com atraso.
Por isso, o resultado final de 2026 dependerá de como o fenômeno evoluirá durante os próximos meses. O que já está claro é que os oceanos extremamente quentes e o fortalecimento do El Niño colocaram novamente o clima global sob atenção máxima.
Fontes utilizadas: As informações foram verificadas em dados e análises da NOAA, Organização Meteorológica Mundial (WMO), Copernicus, INMET/Cemaden e em reportagem recente da Associated Press.
Nota Editorial: Este conteúdo tem caráter estritamente informativo e foi produzido a partir de dados públicos, instituições científicas e fontes jornalísticas. As previsões climáticas podem ser atualizadas à medida que novos dados forem disponibilizados.


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